Para quem trabalha por conta própria

Freelancer português no Dubai: visto, recibos verdes e o que muda nas Finanças

Responsável: Mariane Nunes, fundadora do NAHY Group. Atualizado em 1 de novembro de 2026.

Um freelancer português pode viver no Dubai com o Green Visa por conta própria, que pede autorização do Ministério dos Recursos Humanos dos Emirados, formação superior e rendimento anual de pelo menos AED 360.000 nos dois anos anteriores, ou com o visto de trabalho remoto de um ano, para quem trabalha para entidades de fora dos Emirados e ganha pelo menos 3.500 dólares por mês. Em Portugal, a mudança obriga a fechar a atividade nas Finanças em 30 dias, atualizar a morada fiscal e ter em conta a regra dos 4 anos para países da lista. A Nuances and Co. (Nuances Education and Consultancy), do NAHY Group, apoia em português em Business Bay. Este guia é informativo e não substitui aconselhamento fiscal.

Primeira hora de consultoria grátis. Fale com a gente no WhatsApp.

Que vistos existem para um freelancer português no Dubai?

O Green Visa por conta própria é uma residência sem empregador patrocinador. Segundo a Direção-Geral de Residência e Assuntos de Estrangeiros do Dubai, o primeiro passo é obter a autorização de trabalho por conta própria do Ministério dos Recursos Humanos e da Emiratização. O requisito mínimo de formação é licenciatura, diploma especializado ou equivalente, e o rendimento anual dos dois anos anteriores não pode ser inferior a AED 360.000.

O visto de trabalho remoto serve quem continua a trabalhar para uma entidade de fora dos Emirados. A mesma autoridade pede prova desse vínculo, rendimento mensal de pelo menos 3.500 dólares e seguro de saúde válido. A residência tem a duração de um ano, renovável, contada da data de emissão.

Há ainda as permissões de freelancer emitidas por algumas free zones e a opção de abrir uma empresa própria numa free zone, com licença e atividade definidas pela autoridade escolhida. A escolha depende de quem são os clientes, de quanto fatura e de precisar ou não de patrocinar a família. O guia de visto freelancer e trabalho remoto compara estas vias com mais detalhe.

Green Visa, visto remoto ou empresa própria: como comparar?

Três caminhos para um freelancer português viver no Dubai
CaminhoPara quem serveO que pede
Green Visa por conta própriaProfissional com clientes variados e histórico de rendimentoAutorização do Ministério dos Recursos Humanos, formação superior, AED 360.000 por ano nos dois anos anteriores
Visto de trabalho remotoQuem trabalha para uma entidade de fora dos EmiradosProva do vínculo, 3.500 dólares por mês, seguro de saúde, um ano renovável
Empresa própria em free zoneQuem quer faturar como empresa, contratar ou patrocinar a famíliaLicença, atividade definida, contabilidade e Corporate Tax da empresa

O visto remoto não permite trabalhar para empresas dos Emirados, porque se destina a quem trabalha para fora. Quem quer clientes no Dubai ou faturar a partir de uma estrutura local precisa de outra via, normalmente uma empresa em free zone ou uma permissão de freelancer.

Quanto custa o visto de trabalho remoto no Dubai?

A Direção-Geral de Residência e Assuntos de Estrangeiros do Dubai publica uma taxa de AED 200 pelo visto de trabalho remoto, acrescida de 5% de IVA. Se a pessoa já estiver dentro do país quando o pedido é feito, somam-se AED 10 de Knowledge Dirham, AED 10 de Innovation Dirham e AED 500 de taxa de pedido feito no país. A própria autoridade avisa que o total pode variar conforme o caso.

O visto de entrada emitido no processo permite ficar 60 dias a partir da entrada, enquanto se concluem os passos da residência, e a residência de trabalho remoto vale um ano a contar da emissão, com possibilidade de renovação. A estes valores juntam-se o seguro de saúde exigido, o exame médico e a emissão do Emirates ID, que têm tabelas próprias.

Para comparar com uma empresa própria, some a licença anual, a residência do sócio, a contabilidade e o Corporate Tax. A empresa custa mais por ano, mas permite faturar em nome da sociedade, ter clientes nos Emirados e patrocinar a família com mais folga, o que o visto remoto não faz.

Como fechar a atividade nas Finanças antes de ir para o Dubai?

Quem deixa de trabalhar por conta própria em Portugal apresenta a declaração de cessação de atividade no prazo de 30 dias a contar da data da cessação. No Portal das Finanças, o caminho é Atividade, Submeter declaração de atividade, indicando as datas de cessação para IVA e IRS. A declaração também pode ser entregue num Serviço de Finanças ou numa Loja do Cidadão.

Segundo o guia oficial do Governo, a baixa na Segurança Social é feita automaticamente, porque as Finanças e a Segurança Social partilham a informação. O mesmo guia lembra que as contribuições terminam no mês seguinte ao da baixa, mas pode ficar por pagar a contribuição do mês anterior, e que o encerramento é indicado no IRS do ano seguinte, no anexo B, quadro 14.

Fechar a atividade não fecha a relação com as Finanças. Faturas por receber, IVA por entregar e a declaração de IRS do ano da saída continuam a ser obrigações do contribuinte, e convém planear a data de cessação em conjunto com a data de partida e com a morada fiscal.

Morada fiscal e representante fiscal para quem vive no Dubai

O Portal das Finanças indica o prazo de 60 dias para comunicar a alteração de morada quando ela implica passar de residente a não residente. A morada no Dubai deve corresponder a uma mudança real, com contrato de arrendamento, visto e vida organizada nos Emirados.

Para quem vive fora da União Europeia, a nomeação de representante fiscal depende de manter relação com a Autoridade Tributária, por exemplo um imóvel, um carro ou atividade em Portugal. Nesses casos, a pessoa pode nomear representante ou aderir às notificações eletrónicas pelo Portal das Finanças ou pela ViaCTT. A exceção importante para freelancers: quem mantém atividade por conta própria sujeita a IVA não fica dispensado de nomear representante com a adesão às notificações.

A regra dos 4 anos também se aplica a freelancers?

Sim. O artigo 16.º do Código do IRS mantém como residentes os portugueses que mudem a residência fiscal para um país da lista de regimes claramente mais favoráveis, no ano da mudança e nos 4 anos seguintes, salvo prova de que a mudança se deve a razões atendíveis. Os Emirados Árabes Unidos estão nessa lista desde a Portaria n.º 150/2004.

Para um freelancer, a prova da mudança real costuma assentar em factos simples: contrato de casa no Dubai, residência emitida, entradas e saídas, clientes atendidos a partir dos Emirados e o que fica em Portugal. Uma casa disponível em Portugal e a família a viver cá pesam no sentido contrário.

A Convenção entre Portugal e os Emirados raramente resolve este ponto para um português, porque o seu artigo 4.º só considera residente dos Emirados a pessoa singular com domicílio nos Emirados que seja nacional dos Emirados. O caminho para afastar a regra é o próprio artigo 16.º. O guia Portugueses no Dubai mostra como preparar essa prova.

Clientes em Portugal: há retenção de 25% nos recibos?

Há, quando o rendimento é considerado obtido em Portugal. O artigo 18.º do Código do IRS inclui os rendimentos de atividades profissionais e de outras prestações de serviços realizadas ou utilizadas em território português, pagos por entidades com residência, sede ou direção efetiva em Portugal. Para não residentes, o artigo 71.º aplica a taxa liberatória de 25% aos rendimentos empresariais e profissionais.

Do lado do cliente português, pagar a uma pessoa que vive num país da lista tem custos próprios no IRC: o gasto deixa de ser dedutível e fica sujeito a tributação autónoma de 35%, salvo prova de que o serviço foi real e o preço normal. Muitos freelancers só descobrem isto quando o cliente pede para rever o contrato. O guia Clientes em Portugal e empresa no Dubai faz as contas do lado de quem paga.

Segurança Social do freelancer que vai para o Dubai

Com a cessação de atividade, as contribuições como trabalhador independente terminam. Para não interromper a carreira contributiva, o Seguro Social Voluntário é um regime facultativo que pode abranger portugueses a trabalhar no estrangeiro que não estejam cobertos por acordo aplicável, com proteção na invalidez, velhice e morte.

A adesão e o valor das contribuições confirmam-se diretamente com a Segurança Social, a partir do historial de cada pessoa. Do lado dos Emirados, o seguro de saúde é exigido no visto de trabalho remoto e deve ser tratado como custo fixo da mudança.

Que documentos levar de Portugal para o pedido de residência?

Para o Green Visa por conta própria, a autoridade do Dubai pede, além da autorização do Ministério dos Recursos Humanos, fotografia pessoal e cópia do passaporte com validade mínima de 6 meses, e o diploma que comprova a licenciatura ou o diploma especializado. O rendimento dos dois anos anteriores tem de ser demonstrado, e a estabilidade financeira mantém-se como condição durante a estadia.

Documentos portugueses destinados a uso oficial nos Emirados, como diplomas, certidões de casamento ou de nascimento, podem precisar de atestação, conforme a finalidade, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados. Tratar disto antes de sair de Portugal evita voltar por causa de um carimbo em falta.

  • Passaporte português válido por mais de 6 meses e fotografia recente.
  • Diploma de licenciatura ou diploma especializado, com atestação quando pedida.
  • Extratos e declarações que provem o rendimento dos dois anos anteriores.
  • Contratos ou faturas com os clientes, para mostrar a atividade real.
  • Comprovativo da cessação de atividade e da nova morada fiscal em Portugal.

Como a Nuances and Co. apoia freelancers portugueses?

A Nuances and Co. começa pelo seu caso: quem são os clientes, quanto fatura, se pretende patrocinar a família e se faz sentido abrir empresa ou seguir com um visto de freelancer. A partir daí, organiza em português a licença, a residência e a conta bancária, com os parceiros licenciados que cada etapa exige.

Na parte portuguesa, cessação de atividade, morada, IRS e Segurança Social, a Nuances articula com um contabilista certificado em Portugal, porque a decisão fiscal é individual. Envie a sua atividade, os seus clientes e a data prevista de mudança para começar.

Perguntas frequentes

1. Posso continuar a passar recibos verdes depois de ir para o Dubai?

Enquanto for residente em Portugal, a atividade continua aberta e tributada cá. Quando a mudança é real, fecha-se a atividade em 30 dias e os recibos a clientes portugueses passam a ter retenção de não residente.

2. O visto de trabalho remoto deixa-me trabalhar para empresas do Dubai?

Não. Destina-se a quem trabalha para uma entidade de fora dos Emirados. Para clientes locais, o caminho é uma permissão de freelancer ou uma empresa própria.

3. Preciso de representante fiscal se fechar a atividade?

Se continuar com imóvel, carro ou outra relação fiscal em Portugal, sim, ou adere às notificações eletrónicas. Com atividade sujeita a IVA, as notificações não dispensam o representante.

4. O Green Visa exige um ano de rendimento ou dois?

Dois. A autoridade do Dubai pede rendimento anual de pelo menos AED 360.000 em cada um dos dois anos anteriores.

Fontes

Fale com a Nuances no WhatsApp

Suas informações são mantidas em sigilo. Usaremos apenas para enviar o guia e atualizações relevantes sobre business setup nos Emirados.

WhatsApp